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segunda-feira, 13 de abril de 2009

PISTOLAS GLOCK. Um ícone no mundo das pistolas semi-automaticas


UM POUCO DE HISTÓRIA
Em qualquer conversa sobre armas de fogo, quando se discute sobre esta ou aquela pistola, o nome “Glock” sempre aparece, seja essa conversa feita entre leigos ou profissionais de segurança publica. Na verdade o nome Glock é sem duvida nenhuma, o primeiro nome que vem a cabeça quando se pensa em pistolas semi-automaticas nos dias de hoje. Nas próximas linhas vou descrever um pouco desta excelente arma, e desmistificar alguns conceitos que se tem a respeito das pistolas desta séria empresa fabricante de armas.
A Glock é uma empresa austríaca que iniciou suas atividades em 1963, quando os produtos se limitavam a itens de metalurgia e de plástico como, por exemplo, facas, e coldres que eram fornecidos ao exercito austríaco. Porém em 1980 o exercito austríaco abriu uma concorrência para a aquisição de uma nova pistola de porte para seus militares. Entre os requisitos estavam que essa pistola deveria ser em calibre 9 mm parabellum, ter capacidade para, pelo menos, 8 cartuchos, sem ambidestra, poder ser desmontada sem nenhuma ferramenta, ter menos que 58 peças que poderiam ser trocadas sem maiores ajustes e ainda ser capaz de disparar 10000 tiros apresentando, no maximo, 20 falhas. O exercito da Áustria chamava a pistola desta licitação de “P-80”. O Sr Gaston Glock, proprietário da famosa fabrica, fez uma pesquisa com diversos especialistas do segmento de segurança publica, militares e atiradores civis para coletar informações do que seria a pistola ideal. Após 6 meses, s Sr Glock apresentou sua pistola que deveria ser posta para avaliação do exercito austríaco e verificar se esta preenchia as duras exigências operacionais daquela força. Esta nova pistola foi batizada de Glock 17, o que pode ser chamada de a “mãe” das pistolas Glock.
Acima: Uma Glock 17 no modelo original, ainda sem o trilho de acessorios, com uma mira laser montada a frente do guarda mato. Uma solução engenhosa dado a dificuldade de acoplamento de acessorios nesses modelos iniciais da Glock.
A Glock 17 passou pelo teste do exercito da Áustria e falhou uma única vez em ejetar um estojo deflagrado durante 10000 tiros disparados em 5 horas onde vários atiradores se revezaram para manter a arma atirando ininterruptamente. Outros testes bastante “provocativos” como mergulhar a pistola em água salgada, enterrada na lama com o ferrolho aberto, expor a arma a temperaturas congelantes de 24 º a baixo de zero, foram executado na Glock 17, tendo ela passando com louvor por todo esse “inferno” avaliativo.
Em 1983 a Glock 17 foi, oficialmente, adotada pelo exercito austríaco e a partir daí a “pistola de plástico” como a mídia a chamava passou a ser o centro das atenções em muitas conversas entre apreciadores de armas. Vale aqui lembrar que a Glock não foi a primeira pistola a usar plástico (Polímero) em sua construção. Na verdade a primeira arma com essa característica foi uma pistola famosa Heckler & Koch chamada VP-70, uma arma dos anos 60 que além do material avançado, também era mecanicamente avançada usando um sistema de operação exclusivamente em ação dupla. Bom... voltando para o foco deste artigo, a popularíssima pistola Glock, acabou entrando no mercado norte americano, o mais concorrido do mundo, devido a liberdade que o cidadão de bem possui naquele país para adquirir armamentos. O sucesso do modelo naquele mercado foi sensacional. Simplesmente um “best seller” em termos de vendas. Fora isso, muitos departamentos de policias nos Estados Unidos, assim como agencias do governo, começaram a adquirir as pistolas Glock em suas diversas versões.
Acima: Aqui podemos ver uma Glock 22 em calibre 40 S&W com uma lanterna acoplada ao trilho da armação. Esse trilho é uma caracteristica das Glocks mais recentes, pois originalmente não havia esse item.
DIVERSIDADE DE MODELOS?
A pergunta acima é bastante valida. A Glock possui hoje exatos 21 modelos de pistolas. Porém todos os modelos são muito parecidos entre si, tendo como maior diferença as dimensões de cano e da armação, para adaptar aos calibres diferentes. Os modelos 17 em 9 mm, 20 em calibre 10 mm, 21 em calibre 45 ACP, 22 em calibre 40 S&W, a Glock 31 em calibre 357 sig e o modelo 37 em calibre 45 GAP são os modelos “standard”, com cano 4,5 polegadas. Os modelos compactos com canos de 4 polegadas são o 19 em calibre 9 mm, o 23 em calibre 40 S&W, o 25 em calibre 380 ACP (disponível para o civil brasileiro), o 32 em calibre 357 sig e o modelo 38 em calibre 45 GAP. Os modelos ultracompactos, cujo cano é de apenas 3,45 polegadas são o 26 em calibre 9 mm, o 27 em calibre 40 S&W, o 28 em calibre 380 ACP( também disponível para o civil brasileiro), o 29 em calibre 10 mm, o 33 em calibre 357 sig, o 39 em calibre 45 GAP. Ainda há um modelo ultracompacto e mais fino que as demais para possibilitar um porte dissimulado maximo que é o modelo 36 em calibre 45 GAP. Para competições de tiro pratico a Glock tem dois modelos que são conhecidos por Glock 34 em calibre 9 mm e o modelo 35 em calibre 40 S&W. Esses modelos de competição são usados para fins táticos também e sua característica principal é um cano mais longo que o modelo standard chegando a um comprimento de 5,3 polegadas.
Outro modelo especial que ainda não mencionei é a Glock 18, uma pistola com seletor de tiro capaz de disparar até 1200 tiros por minuto. Esse modelo, em calibre 9 mm, usa um carregador especial de 33 tiros. Seu uso é voltado para situações em ambiente fechado e com alvos a curta distancia dada a maior dificuldade de controle da arma durante as rajadas de tiro.
Acima: A maioria dos departamentos de policia dos Estados Unidos adotou alguma versão da Glock para seus agentes. Nessa foto uma Glock 17 em calibre 9 mm. Notem que o agente de traz está com o apontador laser acionado, de forma que o feixe se tornou visivel.
DISTINGUINDO-SE DA CONCORRÊNCIA.
A Glock tem diferenças que vão do desenho as suas funcionalidades quando comparadas com pistolas tradicionais. De cara o que chama a atenção quando se vê uma Glock é a ausência de travas externas nos lugares comuns, como na parte posterior e acima da lateral do ferrolho. Na verdade, a tecla de trava fica no próprio gatilho dando um aspecto de “gatilho duplo” à Glock. Ao se posicionar o dedo no gatilho, se pressiona essa tecla de segurança que desabilita a trava do percurtor (agulha em termos mais simples), arma o mesmo e libera uma trava do próprio gatilho. Se essa tecla não for pressionada, e a Glock for arremessada, jogada, impactada, não haverá disparo acidental pois o sistema mantém todo o mecanismo de disparo seguro. O sistema de trava no gatilho é chamado de “Safe Action” pelo fabricante e sua tradução é “ação segura”. Outra característica das pistolas Glocks é a ausência do “cão” na arma ou “martelo”. A Glock não tendo esse dispositivo, não pode disparar em ação simples, sendo que em caso de ocorrer uma falha na ignição do cartucho, não haverá a possibilidade de se engatilhar a arma com o dedão da mão, sendo assim, necessário manusear o ferrolho para que se libere a câmara da arma da munição falha e se colocando um novo cartucho na câmara. O ferrolho, por sua vez tem acabamento oxidado com um tratamento chamado de teneferização ou acabamento Tenifer, que segundo o fabricante, torna as peças assim tratadas, tão duras quanto diamante ou seja, quase indestrutíveis. A armação é em polímero (um tipo de plástico de alta resistência) assim como todas as peças que não sofram pressões do processo de disparo. O uso do plástico em sua construção permitiu uma significativa redução do peso da Glock em relação as pistolas tradicionais de aço ou duralumínio.
Acima: As pistolas Glock dos modelos 31 /32/ 33 usam o potente calibre 357 Sig. Esse calibre é uma adaptação de um cartucho de munição 40 S&W para poder calçar um projétil em calibre 9 mm. O resultado é uma munição em forma de garrafinha (como nos fuzis) e extremamente potente, tanto que os dados balisticos são similares a o do 357 magnum.
ATIRANDO COM UMA GLOCK
Embora não comente muito, eu freqüentei por muito tempo clubes de tiro da cidade de São Paulo onde tive experiência de disparar muitos modelos de armas e calibres diferentes. Em duas ocasiões pude passar a manhã com uma pistola Glock 25 de um amigo da policia civil de São Paulo que a levou para podermos comparar com outras armas do mesmo tipo que levávamos ao estande, naquela manhã. A Glock 25 é uma versão compacta, em calibre 380 ACP com carregado de 15 tiros, sendo que o modelo que estava disponível para nós tinha um prolongador no carregador que aumentava a capacidade do carregador em mais 2 tiros totalizando17 tiros. As outras armas que estavam conosco eram uma pistola CZ-83 em calibre 380 ACP, uma Imbel MD-1 GC em calibre 380 ACP, uma pistola Taurus PT-938 em calibre 380ACP e uma Taurus PT-58 HC, também em calibre 380 ACP. Toda a munição usada era recarregada com carga padrão para o 380, por tanto com a potencia relativamente baixa inerente a esse pequeno calibre. Das armas lá disponíveis a novidade era a Glock 25 sendo por isso que começamos atirando com ela. Logo de cara, no 3º tiro, a pistola engasga ficando com o cartucho deflagrado preso na janela de ejeção da Glock. Manuseamos o ferrolho para liberar o cartucho preso e colocar mais um na câmara, dando seguimento a seqüência de disparos. Novamente depois de 4 tiros, o cartucho , já deflagrado fica preso na janela de ejeção. Com as outras pistolas que levamos para o estande, esse fenômeno não ocorreu nenhuma vez, tendo todos os disparos sido feitos em total perfeição. Um colega de clube estava num Box ao lado com uma Glock 21 em calibre 45 ACP e a arma dele, simplesmente não falhava um tiro. Porém a munição que ele estava usando era de fabrica.

Acima: Nessa foto podemos ver o evento de falha de ejeção igual ao que ocorreu com a Glock 25 a nossa disposição no clube de tiro. O estojo fica entre o ferrolho e a entrada da camara. Com munição de fabrica, essa falha não ocorre.
O dono da Glock 25 relatou que com munição Silver ou Gold, ambas com cargas +P (munição com mais pólvora e conseqüentemente mais potencia), e fabricadas pela CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) nunca havia ocorrido àquelas falhas, fazendo-nos concluir que a munição recarregada com cargas padrões do pequeno calibre 380 ACP, não tinha força suficiente para empurrar o ferrolho de uma Glock 25 até o ponto em que a ejeção fosse corretamente feita. Sendo assim a Glock funciona muito bem, desde que com munição de fabrica, e preferencialmente com cargas apimentadas como a +P. Com relação a precisão, a Glock 25, se mostrou a mais precisa arma que nós estamos usando. Todos os que testaram ela naquele dia conseguiram uma concentração bastante compacta no alvo disposto a 7 e a 15 metros, mesmo com pouca intimidade com a arma. A alça da mira não é ajustável, sendo assim zerada de fabrica e muito eficiente, apresentando um desenho como um “U” quadrado com a massa da mira com uma pequena “bolinha branca” na ponta, facilitou muito o rápido enquadramento do alvo. O peso foi outra característica que nos chamou a atenção. Realmente é uma pistola muito leve em relação a suas similares de outros fabricantes. O recuo não foi sentido diferença, como se era esperado por ser uma arma mais leve sendo que isso ocorreu, provavelmente, porque o polímero da armação absorvia parte do recuo do tiro.
As pistolas Glock são armas muito boas, principalmente se o usuário usar munição de qualidade e de preferência +P. Com munição boa, a arma não falha mesmo além de que, seu acabamento tenifer, torna a arma extremamente resistente, ideal para suportar as maiores pressões geradas pelo uso das munições +P.

Acima: A Glock 25, em calibre 380 ACP é disponivel no comércio brasileiro para civis que queiram adquirir uma pistola moderna para defesa. A Glock testado por mim e meus amigos era deste modelo e a minha recomendação é que se use munição de fabrica e de preferência +P quando se estiver usando esta pistola para defesa pessoal para evitar o risco de falha de alimentação

FICHA TECNICA
GLOCK 17/ 22/ 31/ 37


Calibre: 9 mm Parabellum, 40 S&W (Glock-22), 357 sig (Glock-31) 45 GAP (Glock-37)
Capacidade: 17 tiros (Glock-17), 15 tiros (Glock-22/ 31), 10 tiros (Glock 37)
Comprimento do cano: 4,5 pol
Comprimento total: 186 mm
Sistema de operação: Blowback com trancamento do ferrolho

GLOCK 20/ 21

Calibre: 45 ACP (Glock-21), 10 mm (Glock 20)
Capacidade: 13 tiros (Glock 21), 15 tiros (Glock-20)
Comprimento do cano: 4,6 pol
Comprimento total: 193 mm
Sistema de operação: Blowback com trancamento do ferrolho

GLOCK 19/ 23/ 25/ 32/ 38


Calibre: 9 mm Parabellum (Glock 19), 40 S&W (Glock 23), 380 ACP (Glock 25), 357 sig (Glock 32
), 45 GAP (Glock 38)
Capacidade: 15 tiros (Glock-19/ 25), 13 tiros (Glock-23/ 32), 8 tiros (Glock 38)
Comprimento do cano: 4 pol
Comprimento total: 174 mm
Sistema de operação: Blowback com trancamento do ferrolho

GLOCK 26/ 27/ 28/ 29/ 30/ 33

Calibre: 9 mm (Glock 26), 40 S&W (Glock 27), 380 ACP (Glock 28), 10 mm (Glock 29), 45 ACP (Glock-30), 357 sig (Glock 33), 45 GAP (Glock 39)

Capacidade: 10 tiros (Glock 26/ 28/ 29/ 30), 9 tiros (Glock-27/ 33), 6 tiros (Glock 39)
Comprimento do cano: 3,5 pol
Comprimento total: 160 mm
Sistema de operação: Blowback com trancamento do ferrolho

GLOCK 36

Calibre: 45 ACP
Capacidade: 6 tiros.
Comprimento do cano: 3,78 pol
Comprimento total: 172 mm
Sistema de operação: Blowback com trancamento do ferrolho

GLOCK 34/ 35 Tactical/ Practical

Calibre: 9 mm Parabellum (Glock 34), 40 S&W (Glock-35)
Capacidade: 17 tiros (Glock-34), 15 tiros (Glock-35)
Comprimento do cano: 5,3 pol
Comprimento total: 207 mm
Sistema de operação: Blowback com trancamento do ferrolho

GLOCK 18

Calibre: 9 mm Parabellum,
Capacidade: 33 tiros
Cadencia de tiro: 1200 tiros/ min
Comprimento do cano: 4,5 pol
Comprimento total: 186 mm
Sistema de operação: Blowback com trancamento do ferrolho

ABAIXO TEMOS UM VIDEO COM APRESENTAÇÃO DA GLOCK 17 E DE SEU FUNCIONAMENTO. EMBORA ESTEJA EM JAPONES AS IMAGENS SÃO BASTANTE "EDUCATIVAS"

ABAIXO PODEMOS VER UM VIDEO COM UMA PISTOLA METRALHADORA GLOCK 18, ONDE O SUJEITO DESCARREGA DIVERSOS CARREGADORES EM REGIME TOTALMENTE AUTOMÁTICO.

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